Quando tento vislumbrar o futuro da Indústria do jogo online na minha bola de cristal, vejo o seguinte:

   1. A primeira ronda sobre legislação de jogo nos Estados Unidos entra em vigor no final de 2010. Os congressistas de alguma forma finalmente reconheceram que alguma coisa terá que pagar as guerras e o novo programa de saúde, em vez de permitirem que milhões “voem” para paraísos fiscais;

   2. Todos os casinos tradicionais seguem a Harrah’s Entertainment (empresa privada de jogo) a nível do mercado do jogo online, gastando milhões para operarem online e tentarem igualizar os pequenos casinos online. Estes directores executivos agora acusam o Congresso por, durante muitos anos, não terem prestado atenção ao jogo online; obrigando agora os casinos tradicionais a correr atrás do prejuízo e tentarem igualizar-se perante a restante indústria;

   3. A nível europeu, em França, tal como esperado, o jogo online foi legalizado. Porem, a protecção incutida pelos franceses torna praticamente impossível a qualquer empresa estrangeira estabelecer-se. Um inflamar da arrogância Francesa;

   4. A Alemanha também abriu as suas portas mas obriga os jogadores a registarem-se na sua agência local de impostos (IRS) de forma a comprovarem a idade, que não devem ao estado e que obviamente irão reportar os ganhos e pagar impostos sobre os mesmos. A Alemanha permite operações estrangeiras mas estas têm que estabelecer um escritório, ter número de contribuinte e pagar impostos sobre os ganhos de jogadores Alemães;

   5. Isto representa um óptimo passo para a Alemanha tendo em conta o ritmo de “caracol” em que se encontravam a este nível. Outros países europeus, tal como a Dinamarca, Noruega e Suécia, seguem o exemplo de abertura alemã mas mantendo algumas regras obrigatórias, que de facto fazem sentido;

   6. Outros países europeus, tal como Portugal, Itália, Grécia e Espanha (os “PIGS”), como uma vez designados pela revista Time Magazine, continuam com o seu proteccionismo sobre as instituições estatais da indústria do jogo. Três anos passados sobre a abertura da Alemanha, Bruxelas obriga finalmente os “PIGS” e abrirem o mercado e a legalizar o jogo online. Agora, os operadores locais estão ainda piores que os parceiros americanos no que diz respeito a estabelecerem-se online, porque o mercado de jogo a este nível tem, de alguma forma, estabilizado em relação às taxas de crescimento de 10% 15% esperadas no período de 2010 a 2014. Agora estes casinos tradicionais questionam-se sobre se vale a pena o jogar por jogar na indústria do jogo. É um pouco cliché não é? E não só perderam o seu lugar na indústria online como perderam também os seus domínios para os inteligentes que se registaram antes;

   7. Os casinos online têm conhecido um crescimento tremendo nos últimos cinco anos, transformando estes pioneiros em milionários (não se esqueça, estes tipos pagam poucos impostos e têm o céu como limite). Portanto, estes biliões que poderiam ter pago parte da guerra do Iraque ou ajudar a combater o desemprego na Europa, acaba na mão de uns poucos empreendedores com visão, enquanto os mais velhos baixam os braços perante a sua própria lentidão em reagir a estes factos, culpando por isso todos menos eles próprios;

   8. Aqueles casinos nocturnos fraudulentos vão sair de circulação. Fazem-me lembrar aqueles casinos estilo Máfia na Vegas dos anos 50. A regulação terá o seu efeito. Os paraísos fiscais irão apanhar estas contas bancárias fraudulentas portanto, na essência, o mau será filtrado e a credibilidade continuará a crescer nesta indústria.

   9. Os pagamentos e transacções online serão uniformizados. Não existirão mais do que cinco formas de pagamento, todas ligadas, tornando as transferências mais fáceis e rápidas.

  10. Os registos serão tão simples quanto o registo de uma newsletter, indicando-se o nome, username e identificação. Então, escolher-se-á das cinco formas de pagamento. Acabou o preenchimento de formulários de 10 e 20 páginas. As contas estarão interligadas, não existirá a necessidade de toda a burocracia agora exigida, que desmotiva uma pessoa de realmente jogar.

  11. Os bónus, como adoramos os bónus… Mas serão mesmo reais? Lembram-me a publicidade das companhias aéreas nos anos 80 onde diziam que a sua viagem para o Hawaii custava no total 89€ mas, logo a seguir à publicidade, tinham uma legenda microscópica de 500 palavras. Isto aplica-se nos dias de hoje aos bónus online. As regras são escritas de tal forma que só após duas ou três leituras uma pessoa as consegue perceber, sem prejuízo de um telefonema ou email para o casino a solicitar mais esclarecimentos.

  12. Os webmasters ou afiliados irão continuar mas acabaram os dias de anonimato. Todos os afiliados terão que ter um nome e estar registados nas finanças, quer individual ou empresarialmente. Será necessária também uma certificação porque o governo encontrará uma forma de cobrar impostos a esta “raia miúda”. Mas faz sentido. Pessoas como eu farão o processo de certificação que não será assim tão difícil, mas será necessário um pequeno exame escrito para comprovar que se está qualificado para entrar no mundo do jogo. À medida que os Webmasters actuam como agentes, terão também que seguir as orientações.

  13. Finalmente, o 13 da “sorte”… os sites apenas estarão escritos nas línguas em que estão registados. Cada língua irá exigir um escalão fiscal diferente, dependendo do tamanho do mercado em que se quer operar.

  14. Os banners também terão todos os formatos, tamanhos e línguas. Serão geográficos. Ninguém mais terá que experimentar para ver o que está disponível, o que poderá resultar muitas vezes num tiro no escuro. Os programas de Afiliados de Casinos têm ainda um grande caminho a percorrer e irão gradualmente corrigir estas questões, através de locais tal como o GPWA (Gambling Portal Webmasters Association).

  15. O GPWA será a entidade oficial internacional que vigia o jogo online a nível mundial. (International Online Gaming Agency).

É assim que vislumbro o futuro. Convergência, transparência e cobrança de impostos são as palavras-chave para a legalização do jogo online até 2015. Depois disso, retemos a respiração para a próxima revelação da bola de cristal…

Lembra-se da Proibição? Continua sem funcionar…